Iniciação à astrologia
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A Ética e a Estética em Astrologia Quando abraçamos uma ciência, quer seja de âmbito estritamente científico ou social estamos sujeitos a regras deontológicas que devem ser cumpridas, tendo em vista o cabal desempenho das nossas funções.Tal como um psicólogo clínico se rege por regras deontológicas, fundamentais à preservação da identidade de quem o consulta e nele confia, isto é, os casos clínicos só podem ser divulgados e discutidos entre técnicos (para não citar outras regras igualmente relevantes); também em Astrologia deveríamos (devemos) adoptar a utilização de algumas regras e procedimentos que balizem a consulta astrológica, isto é, que lhe aufiram um cunho ético e estético necessários à sua aceitação como ciência que é. É quase certo que, todos nós, eternamente aprendizes de astrólogos, começámos por analisar o nosso próprio mapa celeste. Lembro-me desse dia em que, com a curiosidade própria da adolescência, me lancei nessa excitante aventura, consultando numerosos livros e neles várias tabelas, com as quais fui descobrindo o ascendente, a posição dos planetas nas casas e nos signos, os seus aspectos e as fui projectando numa folha em branco, com um círculo previamente desenhado (sim porque nessa altura rareavam os programas astrológicos). Passadas duas horas, ali estava à minha frente o mesmo círculo, agora dividido em doze partes em que gravitavam vários corpos celestes também eles seguindo os seus próprios passos, uns lentos outros em passo acelerado, cruzando-se e entrecuzando-se, libertando vibrações que eram tão só, as minhas vibrações. Um verdadeiro assombro!!! A percepção de que tinha acabado de construir um instrumento de auto conhecimento, de uma rota celeste em perfeita sintonia com os meus passos terrenos foi na verdade um motivo de grande exaltação. E o que fiz em seguida? Logicamente procurar amigos e conhecidos para poder mostrar-lhes a minha descoberta e poder dizer-lhes que o seu caminho também estava escito no céu, como um “abecedário” a necessitar de descodificação. Aqui começa verdadeiramente a nossa responsabilidade. É certo que imbuídos pela necessidade de descobrir outras realidades começamos por “utilizar” os nossos amigos e conhecidos como “cobaias”. Também é certo que, por nos estarem próximos, e porque a eles nos ligam os fios invisíveis do afecto, podemos incorrer em determinados erros que, na consulta não podem nem deverão existir. Penso que é importante focar um aspecto que me parece interessante - nem sempre quem nos consulta esclarece ao que vem. Provavelmente porque julgam que temos capacidades e competências que aos humanos ultrapassam e o possamos adivinhar, ou porque querem testar o nosso saber, julgando que, se não vislumbramos no seu mapa do céu determinada problemática então não mereceremos a sua atenção. No entanto, as mesmas pessoas, quando recorrem aos serviços de um médico ou de um psicólogo, por exemplo, apressam-se a informá-los sobre o que os afecta e aflige. Da mesma forma, assim deve acontecer na consulta astrológica. Devemos explicar às pessoas que nos consultam, que possuímos um instrumento de leitura, que é o seu mapa do céu, mas que, também elas, devem fazer parte integrante dessa leitura. Um médico não receita um medicamento sem saber de que se queixa o paciente; do mesmo modo o astrólogo não deve esperar que a pessoa lhe diga, apenas no fim da consulta: -“Disse-me algumas coisas com as quais me identifico, mas outras não me fazem qualquer sentido”. Isto é frustrante para ambas as partes. É claro que um astrólogo com alguns anos de prática percebe, através da leitura de um mapa, quais poderão ser as problemáticas fundamentais de uma pessoa; mas estas devem ser discutidas a dois, numa postura pró activa e não unilateral em que o importante é a descodificação do seu ADN celeste, nas suas competências e fragilidades. A função do astrólogo é explicar-lhe a simbologia astrológica, os aspectos energéticos em jogo, as propostas evolutivas que o céu lhe designa, cabendo à pessoa procurar afinar com o astrólogo pequenas nuances e, porventura esclarecer algumas dúvidas, que resultam da interpretação de um ou outro aspecto celeste. Outro aspecto relevante na consulta astrológica, prende-se com o estabelecimento da relação com o consultante. Quem souber “ler” um mapa astral, saberá apropriar-se dessa leitura para poder estabelecer uma relação de empatia e de confiança com a pessoa. Empatia, significa compreensão afinidade, sintonia, porque a sua problemática deve encontrar eco no próprio astrólogo, que deve aceitá-lo e respeitá-lo na sua individualidade e características próprias, isto é, sem emitir juízos de valor. Este, é sem dúvida um aspecto primordial. Gostaria também de sublinhar um outro aspecto de capital importância na consulta astrológica – o modo como transmitimos ao consultante algumas particularidades menos agradáveis detectadas no seu mapa do céu. Em primeiro lugar devemos estar atentos, e o próprio mapa já nos oferece essa informação, à sua personalidade, à sua natureza humana, para que a nossa mensagem se adeque também às suas características e indiossincrasias. Não é admissível por exemplo, que possamos responder a uma pergunta desta natureza! "Quando é que eu vou morrer?" Nem mesmo considerando que a pessoa que coloca esta questão não tenha qualquer amor pela própria vida. É necessário portanto estabelecer limites, não só à natureza do que se pergunta, como quanto ao modo e à forma de resposta. A Astrologia não é uma ciência exacta, todos o sabemos; ela revela-nos disposições, tendências e orienta-nos na prossecução da nossa missão, expressa pela posição do nosso Nodo Norte Lunar. Por si só, é muito mais do que poderíamos pretender, tal é o seu alcance e a sua validade como instrumento celeste. Como humanos devemos agradecer esta dádiva libertadora, que emana da insondável dimensão galáctica. Respeitemo-la pois! Fernando Barnabé Fevereiro de 2008 Contacto para consultas e palestras, no âmbito da psicologia e astrologia: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar |
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