Ayanamsa - a precessão dos equinócios

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Ayanamsa - a precessão dos equinócios

 

por António Rosa

 

O astrólogo sério, reencarnacionista ou não, deve levar em consideração a precessão dos equinócios. O grande público, muitas vezes mal informado sobre a astrologia, pensa que esta se resume aos signos solares do Zodíaco. "Ah, você é Touro? Como eu gosto desses bichos!" O estudante de astrologia pode da-ser conta de que os signos do Zodíaco eram apenas uma das "chaves" da astrologia. Os planetas são tão ou mais importantes do que eles! Alguns astrólogos não vêem os signos do Zodíaco senão como um jogo de filtros coloridos: cada planeta envia-nos as suas vibrações através do filtro do signo zodiacal que as colore.

 

Por vezes, espantamo-nos por certas pessoas terem poucas características descritas pelos signos... em compensação, comportam-se mais como o signo precedente. Muita gente, ainda assim, espantou-se com o facto de Hitler ter nascido com o sol em Touro - signo pacífico por excelência! Teria sido bem mais lógico que seu Sol estivesse em Carneiro, signo da guerra, sob a regência de Marte. Ora, é esse o caso... se levarmos em consideração a precessão dos equinócios!

 

Assim, também Luís XIV, que escolhera como símbolo o Sol e se comportou como um verdadeiro Leão, evidentemente não nasceu com o Sol em Virgem - signo do perfeccionismo! (5 de Setembro de 1638).

 

O Zodíaco no qual trabalhamos está alterado. Actualmente, as constelações não coincidem com os signos do mesmo nome.

 

Lembro que os astrónomos reagruparam as estrelas fixas em 89 constelações. Esses grupos, evidentemente, são arbitrários. Mas não se podia deixar de rotular o céu, para se poder orientar nele! Ora, o Sol não dá cambalhotas ao acaso nessas 89 constelações: limita-se, comportadamente, às 12 que percorre todo ano, e que constituem, para ele, uma espécie de auto-estrada celeste. A essas constelações os Antigos haviam dado nomes de animais: ignora-se completamente porquê... Mas não se deve pensar que fosse pura fantasia: os astrónomos-astrólogos da Caldéia possuíam profundos conhecimentos esotéricos sobre o reino animal.

 

Em suma, o início do ano zodiacal, o "ponto vernal", ou "grau zero de Carneiro", deve coincidir com o primeiro dos 12 sectores - ou signos - repartidos no céu no caminho anual do Sol (é a auto-estrada celeste que chamamos de Zodíaco). Esses 12 sectores do céu, de 300 (30 x 12 = 360), são baptizados de acordo com os nomes das constelações que devem enquadrar.

 

Ora, em virtude da precessão dos equinócios, o Sol hoje em dia não nasce no dia 21 de Março, na constelação de Carneiro. Ainda em 228 depois de Cristo, o Sol nascia em Carneiro-signo e em Carneiro-constelação. Depois, pouco a pouco, começou a nascer no fim do signo de Peixes. Os astrólogos, como Ptolomeu, não prestaram mesmo muita atenção nisso: era uma aproximação… A questão é que hoje em dia, a "aproximação" tornou-se "bem pouco próxima"!

O eixo da Terra gira lentamente sobre si mesmo durante 26.000 anos: e é esse fenómeno, chamado "precessão dos equinócios", que faz com que o Sol nasça, em todos os dias 21 de Março, um pouco mais atrás nos signos.

 

Em virtude dessa progressiva defasagem, os 12 sectores de 300 repartidos no céu já não coincidem com as constelações que lhes haviam dado o nome. A defasagem é mesmo tão importante que atinge hoje em dia (em 2007) cerca de 24° separativos.

 

Os astrólogos indianos conhecem perfeitamente essa defasagem, a que chamam de ayanamsa, e que levam em consideração na interpretação dos horóscopos.

 

Assim, alguém nascido nos tempos actuais, por exemplo, com o Sol a 5° de Escorpião estaria, para os astrólogos de 20 séculos atrás (assim como para os astrólogos indianos actuais) com o Sol a 110 de Balança. Não será de estranhar, então, que na sua juventude ele apresente tantos traços de carácter de Balança.

 

Essa defasagem progressiva irá levar pouco a pouco o Sol a nascer, em 21 de Março, na constelação de Aquário (mas sempre no signo, isto é, no sector de Carneiro). Desde o ano 228 da era cristã até agora, o Sol nasce na constelação de Peixes. Irá deixá-la por voltado ano 2377, para entrar na constelação de Aquário.

 

Portanto, os astrólogos verdadeiramente preocupados com a verdade, deveriam levar em consideração a defasagem ayanamsa nas suas interpretações. Uma Lua natal a 6° de Touro, por exemplo, é, no dia do nascimento, o que há de mais Carneiro!

 

Dito isto, a "progressão" dos planetas fá-los evoluir através do Zodíaco. Assim, a criança que nasce actualmente com o Sol a 5° de Sagitário, nasceu na verdade em Escorpião - e manifestará as características deste. Entretanto, por progressão de um grau por ano, o Sol, aos 25 anos, entrará no 1º grau de Capricórnio. Se subtrairmos o ayanamsa de 24°, esse Sol estará na verdade a 6° da constelação de Sagitário. É só então que esse jovem terá um comportamento sagitariano.

 

Na prática corrente, seria preciso considerar os dois signos, antes e depois da subtracção do ayanamsa.

 

Os astrólogos da Pérsia antiga, os caldeus e os babilónios levavam em conta esse fenómeno e corrigiam seus horóscopos a partir disso. Mas os egípcios, depois os astrólogos do Baixo Império romano, os seus sucessores na Idade Média e depois os modernos esqueceram o ayanamsa, que não pára de crescer de século para século.

 

Para concluir, a astrologia ocidental comum, actualmente, trabalha sobre bases em parte falsas, a menos que leve em consideração o ayanamsa.

 

Exemplo muito significativo: o tema de Hitler - Para o seu nascimento, em 20 de Abril de 1889, às 18h21 min., em Braunau am Inn, na Áustria, o Zodíaco habitual dá 0" 48 Touro. Corrigindo a posição do Sol, pela subtracção do ayanamsa, encontramo-lo no início de Áries, a = 7º 48”, o que dá a esse signo de guerra e de fogo toda a sua força.

Actualizado em Quarta, 24 Dezembro 2008 19:22  

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