'Simbolicamente' por Tiago Seabra

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'Simbolicamente'
por Tiago Seabra

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A visão que privilegia o desenvolvimento material em detrimento do espiritual comprometeu o desenvolvimento integral do Homem e foi determinante na criação de um tipo de comportamento predatório em relação à natureza e que se estendeu para outros sectores da vida, permeando, inclusive, as relações humanas, criando um mundo violento e desumano.

A ciência, no último século, vem corrigindo a exacerbação da consciência mecanicista/dualista que dissocia o aspecto material do espiritual e fragmenta todo o conhecimento. A física quântica teve uma importância fundamental na transformação da visão mecanicista e na construção de um novo pensamento, não dualista e não racionalista, que vê o universo unido em uma totalidade inter-relacionada e significativa. Esse novo modelo conceitual concebe a natureza como um sistema de energias organizado no espaço-tempo formando um todo unificado e inter-relacionado.


Ao propor o novo modo de conceber a realidade como uma totalidade integrada, da qual o Homem faz parte, a nova física mostrou a interdependência do ser humano com a natureza, com todas as formas de vida, com o cosmo e a sua responsabilidade com o seu destino e com o destino do planeta. A concepção holística assume, actualmente, importância fundamental na restauração da unidade e da integração de todo o saber, ao mostrar a relação entre o conhecimento da natureza, objecto das ciências exactas, com o conhecimento do Homem, objecto das ciências humanas e das ciências espirituais antigas. A visão da totalidade integrada da vida, que inclui o aspecto espiritual, foi determinante na criação de um novo paradigma na ciência.

Ao reinvestir o mundo de seu aspecto sagrado, essa nova forma de conhecer a realidade uniu o antigo conhecimento ao novo e confirmou muitas verdades contidas na sabedoria das antigas tradições, retomando, assim, o universo de valores espirituais que essas continham.

Neste ultimo século, a psicologia, ao adoptar a visão da totalidade integrada da realidade, deu um grande salto e realizou um avanço no que se refere à ampliação da concepção de um homem e das possibilidades de desenvolvimento da consciência. Jung logo percebeu a importância das ideias que surgiram da física quântica e o conhecimento contido nas antigas tradições de sabedoria.

Jung mostrou que a ciência se aproximava, cada vez mais, de uma ideia unitária do ser, caracterizada por espaço e tempo, de um lado, e por causalidade e sincronicidade de um outro. Segundo Jung o conflito surgido entre ciência e religião, no fundo não passa de um mal entendido entre as duas. O materialismo científico introduziu apenas uma nova hipótese, e isto constituiu um pecado intelectual. Ele deu um novo nome ao princípio supremo da realidade, pensando, com isso, haver criado algo de novo e destruído algo antigo. Designar o princípio do ser como Deus, matéria, energia ou o que quer que seja, nada cria de novo. Troca-se apenas o símbolo.

A Astrologia é uma linguagem simbólica. Exprime-se por símbolos que tratam do Homem e do seu íntimo relacionamento com a Terra e o Céu.

Ao reconhecer as representações simbólicas que estão na base das diversas formas de religião e da arte como conteúdos arquetípicos das alma humana e ver nas antigas tradições um valioso conhecimento que contém um caminho psicológico de crescimento interior, Jung contribuiu para unir a psicologia à arte e à espiritualidade. Dessa forma, ele ajudou a fazer a integração entre as várias áreas do saber, concebendo um novo modelo de desenvolvimento humano mais integral, que inclui o aspecto espiritual e que chamou de processo de individuação.

Aceitar a Astrologia é regressar à Consciência dessa Verdade contida nas antigas tradições. É aderir à dimensão contida no que é simbólico. É deixar que esse modo de expressão nos desperte e nos devolva à justa medida da nossa Alma.

O Símbolo é poderoso, intenso, profundamente transformador. Jung diz que o símbolo dinamiza e altera a energia psíquica. De síntese em síntese, transforma a libido. Transfere energia biológica indiferenciada para a Consciência diferenciada.

Através de um roteiro simbólico que abrange as mais antigas representações Astrológicas, busca-se a compreensão do significado desses símbolos, na cultura humana, alargando assim o entendimento sobre as diversas formas de arte e a sua relação com a realidade arquetípica profunda intuída pela Astrologia.

Tiago Seabra


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Actualizado em Terça, 22 Dezembro 2009 12:03